sábado, outubro 7

Blog de Ex-Líbris em Português

A presença dos ex-libris na Web ainda é diminuta e práticamente nula em páginas de língua portuguesa. Na blogoesfera há referências esporádicas ao tema mas nunca como tema central. Por isso criámos este Blog para contribuindo para a divulgação do mundo apaixonante dos ex-líbris, mormente da sua criação por artistas gravadores e do seu colecionismo. Os ex-líbris têm sido usados para marcar a propriedade de um livro, já que a expressão latina ex libris donde deriva, significa dos «livros de...». A aposição de um ex-líbris, de preferência com valor artístico e impresso a partir de uma gravura é algo que valoriza um livro por oposição à simples assinatura manuscrita do nome do proprietário do livro. A par dos ex-líbris usados nos livros surgiu recentemente através da Web, por iniciativa do amador Catalão - Josep Manzano, a ideia de criar Ex Webis para denotar a propriedade de um portal ou de páginas na Internet. Vários artistas em todo o mundo aderiram de foram entusiástica à ideia criando ex webis de apurado gosto e valor estético, usando designadamente as novas tecnologias digitais e informáticas.

Para saber mais sobre os ex webis visite http://www.geocities.com/exwebis/Castprinc.htm (em Castelhano, Catalão e Inglês).

  • O Ex-Librismo em Portugal
Fértil em tradições ex-librísticas, em Portugal a actividade sofreu um novo declínio no final dos anos '80 do século passado.
Desde o início do século XX publicaram-se três revistas dedicadas ao ex-líbris tendo-se realizado, em 1927, a I Exposição Internacional de Ex-Líbris, organizada pela Imprensa Nacional, sob o impulso do malagrado Luís Derouet. Após o final da II Guerra Mundial Mário Vinhas um colecionador apaixonado lançou uma revista - «Ex-Libris - Portugal» que se publicou regularmente até os anos '90.
Entretanto, no final da década de '50, o número crescente de colecionadores e de interessados permitiu a fundação de duas Associações: a Academia Portuguesa de Ex-Líbris, com sede em Lisboa e a Associação Portuense de Ex-Líbris, sediada no Porto.
A primeira começou a publicar uma revista em 1955 dedicando espaço não exclusivo aos ex-líbris já que tratava também de Heráldica, Genealogia e Bibliofilia.
A APEL por seu lado, lançava uma revista em 1956 - «A Arte do Ex-Líbris» com publicação ininterrupta até aos anos '90, dedicada em exclusivo ao mundo dos ex-líbris sob a direcção do infatigável entusiasta Artur Mário Mota Miranda.
Cedo, a APEL se preocupou em estabelecer contactos internacionais com o renascente movimento ex-librístico europeu e com os Artistas de ex-líbris que estavam activos em Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Alemanha e sobretudo, nos países do Leste.
Com efeito, a partir de 1953 começaram a realizar-se, em várias cidades europeias, Congressos de Ex-Líbris reunindo artistas e colecionadores, sob o impulso do grande colecionador Dott. Ing. Gianni Mantero.
Daí à fundação de uma organização na origem pan-europeia que aglutinasse as várias Associações nacionais foi um passo. A FISAE nascia assim em 1966 no decurso do Congresso de Hamburgo contando com 15 membros fundadores, entre os quais a APEL. Hoje, a FISAE, cujo último Congresso teve lugar em Nyon, na Suiça, em Agosto deste ano, conta com 39 membros incluindo os E.U.A., a Turquia, a China e o Japão.
Para saber mais: http://www.fisae.org/
A APEL veria porém a sua actividade cessar nos anos '90, com a crescente falta de sócios e de colaboradores, tendo deixado de se publicar a sua Revista, que chegou a ser considerada como uma das melhores no seu género a nível internacional.
A Academia Portuguesa de Ex-Líbris por seu turno, deixou de publicar o seu Boletim com regularidade, embora tenha organizado o X Encontro Nacional de Ex-Libristas, em 1993 e quatro Exposições temáticas em 1998 e 2003 e, apesar de ser membro da FISAE, não tem enviado delegações aos Congressos Internacionais.
Poucos eventos ex-librísticos desde o final dos anos '90, designadamente de Exposições, e o pouco interesse dos artistas gráficos para esta forma de expressão e a falta de encomendas explicam o marasmo actual.
Em profundo contraste, em Espanha onde semelhante declínio ocorreu em finais da década de '80, assistiu-se à fundação de duas novas Associações – a Associació Catalana d’Ex-Libristes (ACE) com sede em Barcelona e, a muito recente e dinâmica Asociación Andaluza de Ex-Libristas, de Sevilha. Ambas foram produto de um punhado de entusiastas que corajosamente souberam erguer o facho para as próximas décadas.
A presença portuguesa além-fronteiras porém tem sido assegurada por contactos individuais entre colecionadores e, sobretudo, pelo veterano Artur Mota Miranda que, após ter editado e dirigido a monumental obra de referência Ex-libris enciclopédia bio-bibliográfica da arte do ex-libris contemporâneo: encyclopédie bio-bibliographique de l'art de l'ex-libris contemporain: encyclopaedia bio-bibliographical of the art of the contemporary ex-libris: Bio-Bibliographische Enzyklopädie der Kunst Zeitgenössischer Exlibris: Enciclopedia bio-bibliografica dell'arte dell'ex libris contemporâneo, 30 vols, Braga, Edit. Franciscana, [1985-2003], começou a publicar outra obra de grande interesse para a divulgação dos Artistas de Ex-Líbris intitulada Contemporary International Ex-Libris Artists, tendo até à data editado 6 volumes [2003-2006].