domingo, outubro 8

As origens do ex-líbris

Desde que Guttenberg inventou a impressão por caracteres móveis estabeleceu-se uma estreita relação entre os Livros, os Bibliófilos e os Ex-Líbris[1].

Sem livros e bibliófilos não teriam existido ex-líbris, pelo menos até data recente como veremos. Os Ex-Líbris expressão derivada do latim ex libris que significa «dos livros de…», nasceram da necessidade de identificar a propriedade dos livros que formam uma biblioteca[2].
Como marca de posse começou como uma inscrição manuscrita com o nome do proprietário ou das suas armas pintadas. Após a invenção da imprensa os ex-líbris passaram a ser pequenas gravuras impressas em papel coladas nas contracapas dos volumes com o nome do possuidor e geralmente com um sinal de identificação constituído por um brasão de armas.
De início a técnica mais utilizada foi a gravura em madeira. A par dos ex-líbris também se começaram a usar os super-libros ou ex-líbris exteriores estampados nas capas das encadernações dos livros e tendo a mesma finalidade de atestar a sua propriedade.
Mas, para além de identificar o proprietário do livro o ex-líbris nele aposto tinha a finalidade de o embelezar com uma pequena gravura impressa.
Até meados do século XVIII os ex-líbris foram predominantemente heráldicos tendo evoluído de forma crescente para motivos figurativos, simbólicos ou alegóricos.
Em finais do século XV começou a desenvolver-se uma nova técnica de gravura – de incisão utilizando uma chapa de cobre gravada a buril que permitia maior detalhe que a xilogravura, traço mais fino e um maior número de estampas. Esta técnica veio permitir o desenvolvimento da arte da gravura e da execução de ex-líbris.
No século XIX inventou-se a litografia, seguida pelos processos foto mecânicos como a zincogravura e, mais recentemente, o offset e o desenho por computador permitindo maiores tiragens e tornando mais barato o processo de reprodução de um desenho original.
-------------- [1] Ver sobre a invenção da imprensa http://www.imultimedia.pt/museuvirtpress/index.html e, em Inglês os portais: http://communication.ucsd.edu/bjones/Books/printech.html (excelente artigo de Bruce Jones);http://www.e-mas.co.cl/categorias/marketing/literatpublic.htm (em Castelhano); uma discussão erudita sobre «The Information Age and the Printing Press: Looking Backward to See Ahead» em http://www.rand.org/publications/P/P8014/, por James A. Dewar; http://www.ideafinder.com/history/inventions/story039.htm [2] A palavra ex-líbris tem adquirido ao longo do tempo uma conotação com excelência tendo-se tornado sinónimo de «símbolo» ou «marco» sendo frequente ser usada em expressões como «A Torre de Belém é o ex-líbris de Lisboa…».